Eine Kastanie in Lissabon
#aindaestouaqui
Quando morava em Berlim, eu e o meu namorado da altura pusemos uma castanha num parapeito gradeado de uma rua no centro da cidade. Foi em 2006, não sei exactamente quando - só sei que, quando recebi a visita dos meus pais em novembro desse ano, essa castanha já fazia parte da nossa vida há vários meses, tendo merecido uma paragem no itinerário pelo centro da cidade.
(se algum dia quiserem ir a Berlim, peçam antes sugestões à Helena, que vos mostra as coisas importantes. Eu levava as minhas visitas a ver castanhas e forçava-as a ficar deitadas nos parques a ver a vida passar).
Na altura fui documentando a vida da nossa castanha no blogue - alguns leitores antigos talvez ainda recordem, por exemplo, o dia em que descobrimos que outra pessoa tinha posto uma castanha umas janelas mais à frente (estou a brincar, já nem eu me lembrava disso, só redescobri hoje quando fui reler esses posts).
Infelizmente, em junho de 2007 coube-me a difícil tarefa de anunciar a todos o desaparecimento da castanha mais resistente de Berlim.
Não obstante o seu misterioso e triste fim, acompanhar esta castanha foi, ao longo de quase um ano, uma fonte daquela alegria simples, pouco exigente e divertida que os ingleses classificariam como “whimsical”.
(os dicionários portugueses que consultei não sabem traduzir esta expressão: sugerem excêntrico, caprichoso, cheio de manias, bizarro ou peculiar. O que é que eles fariam para traduzir as incontáveis listas que existem por toda a internet sobre como acrescentar “whimsy” aos nossos dias?)
Infelizmente, há alguma coisa na minha vida de quarentona mãe de filhas que me tem vindo a fazer perder esse talento único que tinha para encontrar felicidade nestas pequenas tolices inóquas. Já não penduro a roupa com molas a combinar e até perdi o urso polar de plástico que costumava ter no fundo do congelador!
Mas, justamente porque sou mãe de filhas, ando a ver se resisto ao desgaste da vida adulta e lhes passo um pouco deste encanto. Pelo que, quando encontrámos uma castanha na rua, nem hesitei.
Amigos e amigas, subscritores e subscritoras, ei-la: a castanha de Lisboa.
Fez esta semana dois meses: foi colocada em cima de um contador do gás, numa rua da cidade, no dia 16 de setembro.
Ainda aqui está, portanto, há 63 dias.
Não é nada mau, pois não? Estamos muito animadas a ver se chega ao Natal.
Outras pessoas e castanhas que também ainda para aqui estão
Na semana passada #aindaestouaqui era o tema do Largo, a que já não consegui responder a tempo - se vocês soubessem da minha vida, roubavam para me dar (é assim a expressão?). Desculpas à parte, não deixem de ir as minhas companheiras de estrada:
A Curva - Ainda estou aqui
Gralha Dixit - Ainda estou aqui
A Gata Christie - Ainda estou aqui



Este post deu-me uma nostalgia triste por uma castanha de estimação que nunca tive. É assim que estamos ao nível de empatia por objetos inanimados.
Essa sua frase "mãe de filhas de 40 anos" deixará de corresponder à realidade daqui a alguns anos mas voltará a ser uma boa descrição embora com outro significado daqui a uns 30 e tal anos.
Não resisto a referir cortadores de castanhas (https://imagenscomtexto.blogspot.com/2024/12/novo-cortador-de-castanhas.html) e uma descrição com minúcia anglo-saxónica de como assar castanhas num forno caseiro (https://imagenscomtexto.blogspot.com/2020/11/assar-castanhas-no-forno.html)