as raias bebés nascem em forma de burrito
Mas também: composições da escola primária, a segunda adolescência dos millenials e a proibição das redes sociais a menores de 16 anos. Jude Law não temos.
É sexta-feira e o Largo escreve sobre #raia, mas eu não sei nada sobre raias. E agora?
Quando era pequenina, a raia era o meu peixe favorito da caldeirada, mas não quero repetir a proeza da composição da escola primária sobre o coelho — os meus colegas escreveram sobre coelhos fofinhos; eu, muito prosaica, escrevi “Os coelhos fazem cocós às bolinhas. Eu gosto muito de coelho frito.”
(imagino que não seja surpresa para ninguém que agora o coelho da Páscoa me obrigue a comprar e esconder os chocolates eu própria)
Não querendo escrever sobre a raia na sua vertente gastronómica nem falhar o tema do Largo, fui investigar a vida das raias e descobri que os seus bebés gigantes nascem todos enroladinhos, um burrito de raia (podem ir ver as imagens aqui, mas aviso que têm uma história triste).
Depois disso, aparentemente, as raias bebés desenrolam-se e vão logo à sua vida, que consiste num movimento permanente, sem pausa para comer ou dormir, para encanto das viajantes do mundo, dos visitantes do Oceanário e, imagino, das suas mães, que não têm de trocar uma única fralda.
Nem de as amamentar a meio da noite, como as baleias:
E muito menos de as levar com elas para a universidade no primeiro dia de aulas, ou de as esconder debaixo da mesa do gabinete a seguir aos terramotos (sacanas dos terramotos!), com medo que o edifício tenha sido pensado mais como exercício de estilo e menos como porto seguro.
Boa vida a das mães raias, não fosse aquela chatice de acabarem em caldeirada.
Ou fritas, que diz que também é muito bom.
#raia
A #raia é o tema desta semana do Largo. A Carla pôs a fasquia tão alto, que não sei se mais alguém se arrisca, mas não deixem de espreitar as minhas companheiras de luta:
Dois dedos de conversa
A Curva
A Gata Christie
Gralha dixit
O blog azul turquesa
Quinta da Cruz de Pedra
Outras ideias, quase todas pequeninas, tirando a última que ficou esticadita, coitada:
A nossa castanha sucumbiu finalmente ao comboio de tempestades: caiu ao fim de 149 dias, no penúltimo dia de mau tempo (a depressão Pedro não conta).
Íamos desistir, mas as minhas filhas sentiram-lhe tanto a falta que voltei a pô-la no sítio. Foi no dia 13 de fevereiro, fica aqui o registo.As nossas culturas são diferentes, as nossas experiências são distintas, somos pessoas única. É tudo verdade mas, ao mesmo tempo, é extraordinário o quanto a nossa experiência pode ser semelhante:
”Growing up, we were told we were the generation of promise. The future shimmered with possibility, a glittering horizon towards which we should march with discipline and ambition. Work hard, they said, and the world would open up to you. Study diligently, and opportunities would greet you. Cultivate your emotional intelligence, and your relationships would bloom into something strong and lasting.
What no one ever said plainly but what we absorbed early was that being average carried a quiet kind of shame. In school, encouragement came wrapped in warning, you can do better, you have so much potential, phrases that sounded generous but implied risk. To be ordinary was to flirt with invisibility.(…) We are encouraged to be educated, capable, and self-sufficient, yet our lives are still quietly assessed for signs of relational completion. Marriage reassures. Motherhood settles people. When those markers are missing, curiosity turns into concern, and concern into gentle, persistent questioning.”
Vale a pena ler na íntegra este Millennials in Midlife: a Second Adolescence, escrito por uma jornalista queniana (via This Week in Africa, uma newsletter descoberta neste texto da Liza Debevec).Alguém tem alguma experiência com house-swapping? Volto muitas vezes a essa ideia e este relato voltou a deixar-me cheia de vontade. Gosto da ideia de viajar assim: integrando-me na experiência real de alguém que lá mora, mas sem roubar casas ao mercado da habitação. Também gosto do toque “manguito ao capitalismo”, apesar de a maioria das plataformas ser paga.
E acredito sinceramente na confiança como base da interação humana, confiar primeiro, desconfiar depois (e só se necessário).Os temas no espaço público seguem-se uns aos outros neste ritmo vertiginoso de propósito, não é?
Talvez por ter demasiado tempo obcecada a investigar o voto dos emigrantes no Chega, não tenho opinião definitiva sobre a proibição das redes sociais aos menores de 16 anos (fico sempre surpreendida com as pessoas que têm logo muitas certezas sobre todos os temas - eu definitivamente não sou assim tão rápida). Tentativamente:
a) Acho bem que as crianças e adolescentes recebam smartphones e tablets tarde, pelo menos para uso independente (gosto da ideia por trás desta iniciativa de pais, de nos juntarmos para que a peer pressure para ter um smartphone diminua ou não chegue nunca a existir);
b) Não acho que seja boa ideia cedermos os dados dos nossos documentos às gigantes tecnológicas, acho bem que encontrem qualquer outra forma de gerir esta regra;
c) Não acredito que a proibição substitua a regulação das redes sociais e dos algoritmos, que estão a pôr em causa muito mais do que a saúde mental de crianças e jovens — eu sei que volto sempre aqui, mas o Estado tem de ser mais do que um “fornecedor centralizado de remendos”, a tecnologia é como a economia, não é um fenómeno atmosférico, não nos acontece de forma neutra;
d) De uma perspectiva de cidadania e de liberdade de expressão e participação, dezasseis anos parece-me demasiado tarde para o acesso à esfera digital e ao que é a nova centralidade do debate público, quer queiramos quer não (e sei que muita gente não quereria).
Registo, no entanto, com agrado a vontade de Montenegro de imitar Pedro Sánchez, tenho imensas ideias de iniciativas do primeiro-ministro espanhol que ele pode copiar a seguir. Quando não somos capazes de ter uma única ideia capaz, não há vergonha nenhuma em copiar os vizinhos.
Algumas leituras interessantes: Sobreiro Mecânico, Intergalactic Robot, D3, Shifter






Eu troquei de casa durante uma semana com uma francesa de Paris, mas que era conhecida da minha irmã. Paris era e é uma cidade caríssima, ainda mais para um casal e duas crianças de 10 e 12 anos em 1988 (Portugal aderira à CEE em 1986, depois de visitas do FMI em 1977 e 1983) com uma diferença de poder de compra inimaginável para gerações mais jovens.
A casa dela era em Villa d'Este, Bd. Massena, ao pé da Porte de Clichy (ou de Choisy). Diz no Google Maps que demora 21 minutos até ao Louvre mas era bastante mais. Ela gostou de estar nos Olivais Sul onde o metro e Centro Comercial chegariam só em 1998. Na altura havia um Pão-de-Açúcar e umas hortinhas género "familiengarten" mas menos ordenadas do que as germânicas. Elogiou os cabeleireiros "Helder e São" (R, Cidade do Lobito 268) que entretanto se reformaram há uns anos. Link para foto de Villa d'Este: https://drive.google.com/file/d/1H7zMr5VHjje-lJcgMpm_CayOlA-k3mVU/view?usp=drive_link
Julgo que no 16º andar duma destas torres.
No seu caso contactaria berlinenses conhecidos que gostassem de visitar Lisboa, ou doutra cidade onde tenha vivido, ou amigos desses conhecidos.
Correu tudo bem na minha troca mas não repeti a experiência, na altura não havia email, muito menos WhatsApp.
Olha, eu adorava o molho da caldeira e de molhar o pão, mas o prato em si nunca me entusiasmou muito ahaha
Entretanto, adorei o artigo que partilhaste sobre os millennials e é curioso como é mesmo uma experiência universal lol senti-me vista naquele artigo.
Quanto à proibição das redes sociais aos menores de 16 anos, apesar de não ter filhos, acho que é uma medida penso rápido. Sei lá, os miúdos não irão contornar a situação? Não deveríamos antes procurar educá-los a navegar na internet, em vez de lhes tirar? Porque, vejamos, a internet é incontornável nos dias que correm (na minha opinião). Lembro-me que, na minha altura, os adultos alertavam-nos para os perigos da Internet, em vez de a retirarem. Mas pronto, é o meu "bitaite" de pessoa que não está dentro do tema